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“Fome, falta de moradia, desemprego: as doenças do Brasil” Bug Sociedade


Olhe pra onde olhar e se não for para seu próprio umbigo, verá miséria, nesse terrível momento do Brasil. O tal dito “mito” é um castigo já percebido por todos os não cegos. Como eu dizia antes da eleição, uma pessoa que nunca produziu nada no trabalho que desenvolveu por 27 anos, não poderia ter subido de cargo porque isso não acontece assim. Ninguém, na vida real, dá a chefia para aquele que só vai ao trabalho fofocar e ser maledicente. E aí estamos nós: Em 3 anos, o pouco que tínhamos – e era mesmo muito pouco diante de tudo o que existe no Brasil de riqueza – virou pena, pó, lágrima, desconsolo e miséria. Eu preciso dizer isso porque é a minha parte apontar que não somos esse povo miserável das redes sociais que quer ver o mal dos outros. Nossa essência não é essa.


Portanto, se por enquanto ainda tenho esse governo (o tempo não passa), preciso conviver e sugerir algo, ser útil – mesmo que todos os que estão nele acabem sendo atacados pelo verme da inutilidade perniciosa e da bactéria da ambição e da vaidade.


Temos uma crise hídrica que por atraso do governo virou uma crise elétrica – eu digo claramente atraso porque num país com a quantidade de sol e vento que temos, é mesmo uma enorme estupidez estarmos com alguma crise de energia. Por quê o BNDS, ao invés de emprestar dinheiro a fundo perdido e incentivos fiscais para ricos, não empresta pra classe média instalar placas solares em prédios, casas, padarias, etc? Alguém acha mesmo que os grandes bancos vão lembrar disso e investir certo?


Temos uma crise cultural também, sem proporções. Os Governos não deveriam desde o início estar investindo em cultura online para todos e depois pulverizar praças, cantos, jardins, de música, dança, orquestras, teatro, cinema? Aliás, os Governos não deveriam estar facilitando internet pra todos? Eu conheço inúmeras pessoas em Salvador da Bahia que nunca tiveram coragem de comprar bilhetes e se sentaram numa cadeira de cinema, embora amem filmes. Antes de tudo, falta a cultura da possibilidade, do “você cabe aqui”. Porque não começamos com o aceno da possibilidade?


Temos uma crise econômica sem precedentes. Mas se a classe média – de novo ela – for comprar comida nas comunidades ao redor de si, a economia da classe mais baixa vai ter uma grande alta, capaz de mexer com os bens de todos. Ninguém perde, todos ganham. Mesmo os ingredientes pra se fazer um bolo e vender – você já pensou em comprar esses ingredientes e dar pra uma pessoa começar?


Temos uma crise de moradia terrível. Mas, se ao invés de exigirmos asfalto, passarmos a exigir transporte de qualidade e cobrarmos dos prefeitos que eles os usem, talvez as distâncias se encurtem e sobre algum dinheiro pra novos planos de expansão residencial, com prazo longo e juro acessível.


A crise do trabalho, eu atacaria de outra forma, a longo prazo – os empregos de baixo nível escolar vão acabar no mundo inteiro e logo, logo; eu investiria muito pesado em educação, tecnologia e profissões de alta criatividade; ensinaria a ler e escrever muito bem e convidaria a classe média – quem diria, ela de novo – para ocupar essa nova escola. A exigência aumentaria e com ela a qualidade. Pelo meu coração, eu disponibilizaria o Bug Latino pra todo mundo, de todas as idades e a gente ia treinar colocar as coisas em palavras de uma maneira mais assertiva em todos os lugares.


Na saúde, ficou provado que o SUS é tudo de bom; essa coisa quase criminosa de obrigar todo mundo a sonhar com plano de saúde diminui muito, se a gente tiver um lugar pra onde vai e não é tratada como cachorro. Aliás, isso seria prioridade: uma coisa é dizer não, é dizer não tenho, não posso ajudar – mas outra coisa é ser destratado, humilhado e menosprezado – com isso eu acabava de imediato. Tratou mal, investiga. Se ficar comprovado o maltrato, rua. Só nessa medida, o poder executivo seria quase todo substituído, perceberam?


Nossa pior doença se chama políticos. Pra eles, o melhor remédio tem o pior gosto, que é o da verdade. Portanto, beba a verdade, sempre. Seu papel não é amar, não é ser fã, não é venerar que nenhum político é santo, nem Deus; seu papel é investigar se o cara te mente, te engana. Veja a história de cada um. Suspendeu vacina pra adolescente? Aponte logo o dedo na cara, nunca mais vote na pessoa: uma coisa que o mundo inteiro está pedindo pra acontecer, não pode ser diferente aqui. Por quê? Porque aqui faz parte do mundo. Aqui é Brasil, Bahia, Salvador. Enquanto aqui for parte do mundo, a melhor lei é aquela que a gente vê funcionando no mundo. No mundo tem transporte bom, ônibus bom, escola boa, água, luz, hospital, casa, comida e trabalho. Segurança pra gente sair e voltar. Isso não pode virar “tudo isso”. Se está virando uma coisa rara, nunca mais vote na pessoa que você votou e diga isso porque ela tem que ter medo da gente. Nós somos o chefe aqui. Nós somos o povo.

Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV


Dá medo. Muito medo. Um medo que eu desconhecia. Venho de um país com seus problemas, mas apesar disso, venho habituada a apoio e proteção social. Uma certa sensação de conforto, de justiça, de fazer parte de algo para o qual contribuo com meu trabalho e meus impostos. De saber que no final da vida existe um país com que posso contar, que me cuidará, apesar de já não ser tão perfeito como era há 20 ou 30 anos.


Brasil. Quando se visita profissionalmente é organizado, barato, belo. Como turista é muito barato, com uma cultura impressionante, belo, extraordinariamente encantador, fascinante, viciante.


Viver no Brasil é ver e sentir outro país. Logo nos primeiros tempos existia um senhor bastante velhinho que vivia nas ruas do quarteirão onde resido. Chamavam-lhe o “Jamaicano”. Pela manhã, quando ia passear a cachorra, passava por ele, dormindo no chão, no calor do meio dia. Uma manhã, quando passei por ele, sem cerimônias, baixou as calças e fez suas necessidades bem na minha frente. Nunca mais esqueci nem esquecerei. Nessa época eu lutava contra uma série de contrariedades burocráticas, profissionais e de sobrevivência. Não entendia porque era tão maltratada, tinha tanta porta fechada, com tantas qualificações. Quando estava quase a conseguir resolver as burocracias, sempre faltava mais alguma. Um pesadelo, um filme cômico ou apenas a vida te indicando o Bug Latino como o caminho para o teu futuro. O choque dessa situação aconteceu nessa época do “Jamaicano”. Dentro de mim começou a nascer um medo de ficar como ele ao mesmo tempo que ia tentando me “vacinar” desse vírus social e que percebia que acontecia o mesmo com os mais desprotegidos. Comecei a ter consciência da diferente realidade que encontrei. Um lugar com regras que desconhecia. Que também não eram claras. Pelo menos fui entendendo que não interessava as qualificações, nem a experiência, nem a expertise. Você não era daqui, um. Você não pediu aos daqui para vir nem para ser aceite, dois. Você não veio “associada” a uma empresa, universidade, instituição, três. Você não segue as normas instituídas, nem obedece aos que abrem as portas, quatro. Por tudo isso, você não é desejada, cinco. Se não é milionária, super famosa, não pede ajuda, nem se humilha, ficará sozinha. Até que, para não virar a “jamaicana” da rua, irá embora e tudo ficará bem e todos felizes.


Poderia isto ser com os estrangeiros e já seria algo bastante triste. Mas infelizmente não é assim. Se você muda de estado e se coloca da mesma forma, é igual. É desesperante, triste, inacreditável.


Um lugar onde cada um depende de si. Onde quem mais te ajuda e te respeita são estranhos ou anjos. Onde se prefere não melhorar o conhecimento, não partilhar nada, esconder as dificuldades, para manter o poder, o lugar, o “tacho”. Meu querido Brasil, como és capaz de ferir e chutar quem te ama? De não prever o teu povo nem o futuro? Onde está o abraço a uma nação despedaçada? Tu és um espaço de cultura e turismo sem limites, o lugar das maiores festas do mundo. Mas é preciso olhar por cima do ombro, vigiando o Covid19 e suas variantes. Perceber que tu também não serias capaz de construir nada se tivesses de pensar no que vais comer e dar aos teus filhos na próxima hora. Porque um povo sem saúde, sem educação, sem cuidado, sem pão, sem teto, é órfão, vira dependente, incapaz, marginal, amargo, inimigo.


Porque o Brasil, num sopro te coloca na rua, sem moradia, sem teto, sem comida, sem emprego, sem esperança, sem nada. O Brasil num instante transforma um concorrente do Big Brother em herói e coloca pessoas com qualificações no desemprego, na rua. Caminho pantanoso num país tão amado por todos mas tão pouco amigo, parceiro, confidente.


Mas quem é o Brasil? Quem é a pátria amada? Quem tem a coragem de exercer esse lugar mas também essa função? Porque ser mãe não é só parir, ser pai não é só transar. Quem sabe fazer isso pelo Brasil? Quem pode contribuir? Por onde se pode começar?

Ana Santos, professora, jornalista


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