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Exposição de Azulejaria Portuguesa





"Azulejo"


"Azulejos da cidade

numa parede ou num banco,

são ladrilhos da saudade

vestida de azul e branco.

Bocados da minha vida

todos vidrados de mágoa,

azulejos, despedida

dos meus olhos, rasos de água.


À flor dum azulejo, uma menina;

do outro, um cão que ladra e um pastor.

Ai, moldura pequenina,

que és a banda desenhada

nas paredes do amor.


Azulejos desbotados

por quanto viram chorar.

Azulejos tão cansados

por quantos viram passar.


Podem dizer-vos que não,

podem querer-vos maltratar:

de dentro do coração

ninguém vos pode arrancar.


À flor dum azulejo, um passarinho,

um cravo e um cavalo de brincar;

um coração com um espinho,

uma flor de azevinho

e uma cor azul luar.


À flor do azulejo, a cor do Tejo

e um barco antigo, ainda por largar.

Distância que já não vejo,

e enche Lisboa de infância,

e enche Lisboa de mar."


Ary dos Santos


Azulejos das paredes das casas da cidade do Porto, Portugal.


Fotos de João Paulo Pimentel, Professor de Cerâmica na Escola Soares dos Reis desde os anos 80. Artista.

@jpaulopimentel62


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