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“Existe uma diferença entre o que você quer e o que você faz” Bug Sociedade


Cada vez mais pessoas querem ser famosas. Mas, para ficar famoso ser uma coisa lógica dentro de você, é preciso ter feito alguma coisa importante, diferente – e que de preferência consiga ajudar as pessoas a serem melhores.


Dessa demanda estranha, saiu o tema do Bug Sociedade. Eu digo estranha porque isso a mim, parecia óbvio – mas agora deixou de ser. A criança viralizou porque fala palavras difíceis ou porque escreveu um livro e o colocou na prateleira da biblioteca ou porque fez uma dancinha engraçada ou porque deu um beijo de língua no Big Brother. Mas qual a importância disso, afinal? E na vida real, ali no tête-à-tête, as pessoas percebem que existe uma enorme diferença entre o que você quer – ser famoso – e o que você faz para que a fama faça sentido?


Ah, ok, você pode pensar que não precisa fazer sentido. Mas precisa. Sua experiência de vida faz com que a fama faça ou não sentido dentro de você. Como uma base emocional que lhe sustenta. Por isso que tem tanta gente que perde o momento do almoço com a família, tirando a foto do prato – que esfria, claro - morrendo de insegurança e dependendo da opinião dos outros para viver. Quem teve a experiência de passar fome, valoriza a ação de comer, por exemplo. Quem tem a experiência da universidade, da academia, muitas vezes tem a coragem da Luana Araújo (@drluanaaraujo) que, ainda desconhecida do grande público, enfrentou com um discurso forte aquele machismo tolo da CPI - e chegar à fama por isso.


A fama é a consequência de uma ação, este é o resumo mais fácil de entender. Se a pessoa fica famosa apenas porque fez uma gracinha que deu certo, ela não sabe o caminho de sustenta-la e quando os seguidores flutuam – porque flutuam – aí, ao invés de mostrar sua personalidade sólida, a pessoa deprime, se desespera e/ou tenta inventar notícias. “Barraco entre Fulano e Sicrana prova que a separação vai acontecer ou: você não sabe como fulano está hoje”.


Na verdade, estar vivo já é uma prova de fogo e todos deveriam ter orgulho de falar de suas experiências uns com os outros, ensinando o que aprenderam sozinhos ou com seus pais e avós. Parece que todos somos sem graça até a explosão do sucesso, mas também tem uma graça em ninguém te reconhecer e você poder andar por onde quiser, sem ser incomodado. Há a vida inteira por conquistar.


Portanto, os adolescentes que lerem esse comentário podem sossegar porque a vida é cheia de perguntas, propostas e desafios para todos. A graça não é vencê-los todos, mas experimentar quais você quer enfrentar nesta vida. Se o seu pai é advogado, claro que é mais fácil ser um, mas talvez você não se veja sendo feliz no direito. Pule da sua zona de conforto e experimente ser outra coisa que goste de verdade, mesmo que seu pai torça o nariz. Só não fique parado pensando no que vai fazer porque a vida passa num piscar de olhos. Outro bom conselho: Ninguém nasce “o melhor” em tudo o que faz. É impossível. Claro que a sociedade passa essa ideia doente de que estamos em competição uns contra os outros, mas na verdade sua competição principal é com você mesmo. A vida toda vai ser assim. A fama? Nossa, como a fama é relativa... Você pode se sentir a pessoa mais famosa do mundo se um pit bull, na rua, se desviar de seu caminho só pra lhe dar um abraço (já aconteceu comigo, aqui em Salvador) ou quando as pessoas assistem seus programas e mandam mensagens, dizendo que gostam do que você faz. Ou quando você ajuda uma pessoa que está precisando e ela pede que Exu abra seus caminhos. Na verdade, a internet te monetiza pra ser especial, mas nunca te diz como, o que é péssimo pra sua autoestima. Então, não se engane, não se iluda, não se estresse. Seja legal nessa vida, sendo você mesmo.


Be nice. Dá tudo certo.

Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV


Regularmente somos incentivados a pensar que ganhar o Euromilhões, a Loteria ou a Megasena, mudará completamente a nossa vida. Uma vida humana, passará a perfeita. Como quando éramos crianças e as histórias fantásticas nos mostravam a varinha mágica que transformava tudo em segundos. Ou o Super Homem, que reconstruía tudo o que era destruído, com um sopro. Vivemos com esse desejo escondido, com essa possibilidade de milagre. Queremos isso, desejamos isso. Alguns de nós esperam a vida inteira por essa “sorte”. Mas esperam estáticos, inativos, aguardando o momento de serem agraciados pelo universo. Aprendemos infelizmente isso de alguma forma. Nada construímos, por nada lutamos, apenas aguardamos. Cumprir horário de trabalho, rotinas familiares com filhos, pais, festividades. Como se a vida rolasse sem sal, sem sentimento, aguardando o futuro sonhado. Um futuro que pode nunca chegar, principalmente por não termos feito nada por isso. Como se passássemos a vida a fazer coisas que nada têm a ver com o que realmente queremos. Distraídos em cumprir o que vai surgindo para cumprir, não construímos o que queremos. “Um dia hei-de...”, “eu podia ter sido um grande...”, “quando tiver tempo vou fazer...”, “nunca contei a ninguém que sempre sonhei...”, “muitas vezes não sei dizer o que quero”, “sonhava ser uma coisa mas a vida mudou meus planos”, etc, etc, etc.


Perceber que quando você quer fazer um bolo, você na verdade não faz “um bolo”. O que você faz leva ao bolo, mas você não faz o bolo. É a química e o calor do forno que fazem o bolo. Você lê as instruções, compra os ingredientes, os mistura e os coloca numa forma de bolo, no forno e aguarda o tempo indicado.


Quanto mais importante e difícil é o que queremos, mais “coisas” interferem, mais esforço implica, mais tempo necessita. Júlio Resende, um dos melhores pianistas da atualidade diz que é importante seguir fazendo as coisas como um jogo, como um divertimento, como um brinquedo que queremos explorar sempre mais um pouco. Mesmo as coisas mais importantes. Mais sérias. Essa constante descoberta, divertimento, busca, nos leva, habitualmente, muito mais longe do que esperávamos. Torna o caminho mais prazeroso. Dá uma satisfação enorme porque nos sentimos alinhados entre o querer e o fazer e é muito produtivo. Fazendo algo que vai abrindo um caminho, muitas vezes novo, em direção ao que queremos, que muitas vezes é novo também. E eis que quando menos esperamos, fizemos e construímos o que queremos.


Quantas vezes você faz o que quer? Se isso acontece poucas vezes, o que você pode mudar, de imediato, para que melhore um pouco? Se não faz o que quer será que afinal não quer? Já pensou na quantidade de coisas, ações, movimentos, pensamentos, palavras, que você pode “utilizar”, “fazer”, sem gastar dinheiro, sem depender de ninguém? O que você quer é uma ação positiva? Ou é tipo: “só queria deixar de fazer isto”, “o que quero é nunca mais...”, etc. Faça as pazes com o universo. Dizem que Einstein alertava para a escolha mais importante da nossa vida – decidir se vivemos num universo amigável ou hostil. Talvez essa escolha influencie diretamente a quantidade de coisas que fazemos em direção ao que queremos. O que acha?

Ana Santos, professora, jornalista

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