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“DE ONDE NASCEU O BUG LATINO OU: SERÁ QUE VOCÊ AINDA CONSEGUE LER ESSE TEXTO?” e “Trabalho que é vida” Bug Sociedade


“DE ONDE NASCEU O BUG LATINO OU: SERÁ QUE VOCÊ AINDA CONSEGUE LER ESSE TEXTO?” Bug Sociedade

 

BBC Brasil: "OS JOVENS ESTÃO PERDENDO AS HABILIDADES DE COMUNICAÇÃO"; Jornal Expresso (Portugal): "ESTAMOS NUMA ERA DE PREOCUPANTES PROBLEMAS DE CAPACIDADE DE INTERPRETAÇÃO ALÉM DO LITERAL, ÓBVIO E DESENHADO COM CONTORNO CLARO. (...) A MORTE LENTA DA LEITURA SERÁ O FIM DO MUNDO COMO AS GERAÇÕES O CONHECERAM. DA MESMA FORMA IMPARÁVEL COM QUE MUDOU TUDO QUANDO APARECEU, A PALAVRA ESCRITA E IMPRESSA MUDARÁ O MUNDO COM SUA PARTIDA."

                  O mundo já aponta claramente: as pessoas leem menos, mal usam as mãos para escreverem, não conseguem captar as intenções de frases escritas, livros, filmes. Mas é bem pior. Há mais de 40 anos acompanho a forma como as pessoas se comunicam em diferentes momentos, ambientes e sociedades, dentro do Brasil. Antes, se via com bastante clareza que a fluência verbal, o domínio das palavras fazia parte da rotina da maior parte das famílias. Havia momentos de histórias, momentos onde se explicava a “moral de cada história”, momentos onde nos cobravam o que havíamos aprendido com tal ou qual coisa, onde “desenhávamos letras”, nos sentávamos no colo de um adulto para os “assistirmos lendo” – mesmo quando não liam pra nós - e onde as crianças, ali naquele colinho gostoso perguntavam que letra era aquela, qual era seu nome, como elas se combinavam. Conversavam. Por que tenho que arrumar sempre a cama, se vou desarrumar de novo todo dia, por que comemos, por que tem lua... Conversávamos. E a linguagem humana, esse potencial incrível, a nossa carga divina (pode-se dizer), evoluía e amadurecia. Bem pequenos, éramos um ”mar de malcriações”, batidas de pés e puxões nos dedos dos pais para levá-los à água que queríamos, à papa, ao brinquedo. Mas depois - depois de dominarmos a palavra falada tudo ficava diferente porque com ela aprendemos a negociar, pedir, implorar, justificar – muitas vezes chantagear. E depois de longos 6 anos falando e brincando: em cima, embaixo, acima, abaixo, à esquerda, à direita em amarelinhas, quebra-cabeças, árvores, parquinhos, cabras-cegas – estávamos finalmente maduros para encarar as “bolinhas e pauzinhos” que compõem a escrita. Bolinha e pauzinho à direita – “b” - com o, “bo”, diferente de bolinha e pauzinho pra baixo e à direita ou o “q”. Letras de “mãozinhas dadas”, feitas com capricho. Eu aprendi a ler com 4 – o colo do meu pai lendo o jornal sempre foi “inestimável”. Resumindo: sem falar bem, tudo o que vem nascido do domínio da palavra falada não vem tão bem – ou não vem nada bem.

                  Estamos diante de uma sociedade que mal levanta os olhos para dar bom dia, não interpreta bem textos e, portanto, não compreende quando está sendo enganada, não lê e por isso evita textos mais explicativos – como este. Mas o jogo do tigrinho mal fala, quando depois da manchete onde está escrito que a pessoa vai ganhar muito, está escrito “PLAY”. E cada vez menos pessoas se perguntam quando um cassino deu dinheiro pra alguém pra que ela acredite que vai acontecer assim justamente com ela.

                  Há anos isso está piorando. Agora, está totalmente descontrolado. TDAH falsas por falta de vivência, de experiência corporal e motora. E ninguém diz nada. Como uma criança pode escrever bem, sem falar melhor ainda? Ninguém imaginou que uma coisa é a evolução da outra?

                  Bem, eu vi tudo isso e creio que outras mil pessoas viram junto. Fala-se menos, mais reações corporais são necessárias e elas podem ir de apatia até a violência. Qual a diferença entre nós e os outros? Nós fizemos uma plataforma de comunicação humana que enfrenta o problema de frente, com as mesmas armas, aqui na Web – o Bug Latino. Um lugar onde você vai ser estimulado a comentar ou pensar em alguma coisa, já que usamos todos os esforços de que dispomos para aglutinar arte, cultura e informação como formas de entretenimento e estimulação de vocabulário. Fotografia, artes plásticas, poesia, crítica, conto, dicas de esporte e comunicação, audiovisual viram ferramentas que tentam despertar um comentário, uma pergunta – que é respondida por inteligência natural – a minha própria. Nada das embalagens de frases iguais e monótonas do marketing – “e a terceira razão é a mais importante” (ufa). Apenas estou presente e respondo ao que me perguntam. E pasmem: os mais jovens precisam muito que alguém fale com eles. Não o robô, não o Discord (Deus me livre), mas nós! Pessoas de verdade, de carne e osso de verdade.

                  Convido a todos para conhecerem o que fazemos. Estamos em todas as redes, cometendo a insurreição de estimular, de reagir, de tentar impedir o “arrolhamento das mentes”. Nos sigam e tragam mais gente. Tragam seus filhos. Assistam nossos programas – vocês vão se surpreender com o que se pode fazer com criatividade e inteligência – mesmo que com pouco dinheiro. Discutam juntos o que virem – vejam juntos. Chamem os avós e escutem o que viveram. Cada programa tem 30 minutos. Vocês vão ver alguém que pode dizer que quer nos mandar fotos – deixem; que quer escrever pra gente – apoiem. Vivam o Bug Latino. A nossa comunicação - menos física e violenta - vai evoluir como sempre evoluiu e vamos continuar com problemas como sempre. A diferença é que a próxima geração vai ser capaz de mergulhar neles, de resolvê-los ou não – mas se sentindo parte, sendo mais feliz por estar junto, como família e como sociedade.

Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV

 

“Trabalho que é vida” Bug Sociedade

O Bug Latino tem redes sociais. Precisa ter para poder fazer a sua divulgação. Temos um site, buglatino.com juntamente com Facebook, Instagram, TikTok. Chegamos a ter Twitter mas não prosperou. Depois ainda temos o site acordavoz.com o Facebook e Linkedin da nossa produtora, A Cor da Voz, Criações e Produções. Depois Facebook e Instagram meu e de Ana. Temos o Canal do Youtube Bug Latino, onde estão os nossos programas de audiovisual, todos originais de Ana Ribeiro e produzidos pela nossa produtora. Doze “locais” para manter e alimentar. Depois conteúdos diários. Segunda-feira é dia de divulgar um artista plástico e juntamente com essa divulgação, colocamos uma poesia ou frase. Terça-feira é dia de escrever sobre a vida e mundo, na atualidade – um texto da Ana e outro meu. Quarta-feira é dia de divulgar um termo novo e seu significado, no Instagram, e o dia de divulgar poesia. Quinta-feira divulgamos outro artista plástico, com uma frase ou poesia. Sexta-feira é dia de divulgar uma fotografia do Bug e uma frase, no Instagram e dia de divulgação de um novo episódio, de um dos nossos programas de audiovisual. Sábado é dia de divulgar uma fotografia do Bug e uma frase, no Instagram e de divulgar dois contos originais sobre a vida e o mundo atualmente. Domingo é dia de divulgar um filme, uma peça de teatro. Durante nove anos divulgamos azulejos, junto com frase ou poesia, mas em breve faremos uma pausa.

Tudo isto tem muita pesquisa, manutenção, reflexão, organização, trabalho. Tudo feito por duas pessoas. Duas pessoas, mais um contador e editores esporádicos. Pagamos mal por isso não é fácil manter editores. Procuramos insistentemente por apoios que compreendam como é importante e necessário o que fazemos. Muitas vezes insistem em mudar a nossa forma de fazer as coisas, querem que a gente faça tudo igual a todos, que aceitemos o marketing vazio e repetido, que sigamos a “moda”, que mudemos o foco dos conteúdos. E nós insistimos em mostrar que esse caminho não é saudável, não é certo, que o mundo está piorando, que as crianças e jovens, os adultos jovens, os adultos e os idosos, precisam de conteúdos como os nossos, que precisam existir mais pessoas fazendo o que fazemos, que o marketing é apenas algo repetido e vazio, é um embrulho e o importante a cuidar é o conteúdo. Uma luta difícil, lenta, contra muros, portas fechadas e monstros financeiros, sociais e políticos. Mas é a luta de uma vida. No meu caso, por que eu deixaria de ser professora e me dedicaria ao Bug? Para fazer o que todos fazem, sem brio, sem interesse no bem das pessoas, em troca de dinheiro que me iria queimar as mãos? Seria essa a mudança que eu como ser humano deveria fazer aos olhos dos “jovens especialistas” em marketing? Não falo isto para mostrar que sou uma grande pessoa. Não sou uma grande pessoa, sou apenas um ser humano que aprendeu o que todos aprendemos ou precisamos aprender - que a vida é algo a cuidar, que na vida devemos construir, não destruir, que existimos para algo bom, que não viemos para enganar os outros e com isso ficar ricos e explorar as pessoas em nosso benefício.

Um ser humano igual a tantos outros, um ser humano como os outros. Não salvamos o mundo com o Bug? Eu acredito que podemos ajudar muito e ajudar a salvar, mas se não salvarmos, pelo menos não o pioramos. Isso é bom. Hoje em dia é muito. Nos faz bem. Ao fazer-nos bem, irradia coisas boas para os outros. E acreditamos muito no que Elsa Punset, escritora y filósofa, nos estimula a fazer como seres humanos – ao lidar com crianças e jovens, por exemplo, mostrar-lhes sempre o valor de cada coisa, de cada momento, o que aconteceu até se chegar a esse ponto, quantas pessoas foram necessárias, quanto trabalho, sacrifício. Mas também é importante fazer isso com todos e com os nossos momentos. Nunca podemos perder a noção do valor do que temos, do caminho que foi percorrido até esse momento.

Eu sou muito feliz com o Bug Latino e o aproveito, em cada detalhe – mesmo quando parece só trabalho duro. Aproveito como aproveito as pessoas, como aproveito a vida, enquanto estou aqui, enquanto é possível. Enquanto é.

Ana Santos, professora, jornalista


Imagem: Picasso


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Terça-feira, dia de escrever sobre o que acontece no dia a dia. De crítica, de conselhos, de admiração, de espanto, de encontrar caminhos melhores para todos.


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