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“COLETIVO É AÇÃO, NÃO FALAÇÃO” e “A cultura nos salva” Bug Sociedade


Ilustração mostra visão de cima da Via Láctea, que é uma galáxia espiral barrada NASA/JPL-Caltech

“COLETIVO É AÇÃO, NÃO FALAÇÃO” Bug Sociedade

Tem um terreno baldio em frente à minha casa e de tempos em tempos - como agora - começa o drama “de juntar dinheiro entre os vizinhos para cortar o mato e descobrir as latas, vasos sanitários e tralhas diversas que podem dar origem ao mosquito da dengue, a emboscadas de ladrões, prostitutas, homens sem calça no meio do mato, etc.

Há os que entendem que os mosquitos da dengue não picam apenas as pessoas de má vontade – o que é uma pena - e querem contribuir. Há ainda os que percebem que tudo o que ocorre no terreno baldio afeta a vida de todos, da rua, da escola municipal, das crianças pequenas que passam todos os dias, das mulheres, das senhoras. Mas há os homens... e de homem em homem, as árvores não podadas, enormes, foram puxadas pelos caminhões e derrubaram postes que eles não viram porque estavam sempre muito “acima” da vida comum, das operadoras de telefonia e da Coelba. São de “casta superior” – aqueles que não precisam de nada e por isso reclamam dos que se preocupam; aqueles que não pensam em coletivo, em grupo, já que se veem como os senhores da autonomia – ou do egoísmo.

 

Vão fazer documentos civis e entregarem na Prefeitura de uma cidade encantada que não me parece Salvador e que vai “correr aqui com a máquina de cortar” nas mãos para consertar tudo.

Da mesma forma a prefeitura, quando ligamos,” corre e se joga no serviço” - consciente de que o cidadão pagador de impostos tem razão ao reclamar. Entende que “o cidadão é o “patrão”. HAHAHA.

Assim são os serviços. Quando descobrimos alguém que lhe olha e diz que reconhece seu problema, a gente quase desfalece porque o normal é a “má vontade”, o corpo mole. A “Notificação Extra Judicial” usada como desculpa por alguns vizinhos para negar a contribuição financeira – R$10,00 de cada apartamento – e assim cortar o mato que expõe as privadas, as latas, as prostitutas, os ladrões e os bichos escondidos que nos causam perigos a todos, não escreveram nenhuma linha dela. Claro. Grandes figuras não passam pela rua, não andam, creio – voam, aterrissam. A Notificação Extra Judicial é apenas falação. É a má vontade com essa roupa de sair.

Ao invés de se perceberem parte de uma engrenagem chamada sociedade, tentam nos convencer de seu poder, de sua extrema capacidade – mas não fazem nada na prática. O mesmo se repete nas secretarias municipais, estaduais e federais – as pessoas querem apenas comprovar como são incrivelmente poderosas em dar nãos. E os dão. Em detrimento de competências, de saúde, de funcionamento coletivo.

Assim, o bueiro entupido ou o buraco que se abriu na Barra se igualam à saída de pessoas maravilhosas que podem estar no Ministério da Saúde ou na Secretaria da Cultura – não importa. Podem estar morando com meus estranhos vizinhos que não veem perigo num terreno baldio de onde já vimos sair vasos sanitários, latas, mato alto, prostituta, homem sem calça, sem teto e que dão como solução não união, não ação, mas uma Notificação Extra Judicial que ninguém escreveu – pelo menos ainda – mas que todos sabem no que vai dar – em nada.

Quando alguém tenta unir as pessoas, vem os “reclamantes” de ocasião para negar ajuda, dizendo que vão fazer exatamente o que não fazem. Sou fã dos que fazem, dos que se solidarizam. O mundo tão conturbado pede uma gente que não viva só pra si.

Viva Taiguara.

Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV

 

“A cultura nos salva” Bug Sociedade

Adriano Pedrosa curador brasileiro, diretor artístico do Museu de Arte de São Paulo e da Bienal de Veneza de 2024, é um homem corajoso e que merece imensos aplausos porque fez “o certo”, o que ninguém teve coragem para fazer até hoje. A Bienal de Veneza de 2024, inclui pela primeira vez artistas que nunca tinham participado de uma mostra, marginalizados, outsiders, lgbtqiap+, indígenas. "A arte é uma aventura da alma e sempre acreditei nela", frase da ítalo-brasileira Anna Maria Maiolino, de 81 anos, que venceu um Leão de Ouro, expondo obras em argila crua.

Cultura. Será que todos sabemos o que é? Será que todos sabemos o bem que faz às pessoas? À sociedade? Ou as pessoas apenas querem os melhores cargos, querem ser as líderes, querem ser as eleitas? A cultura, como o esporte, como a política, como qualquer área da sociedade, se desenvolve quando todos percebem que só acontece com um trabalho de união, com desapego, com visão, com bondade. Vaidade, ego, competitividade, luta pelo poder, só causam dano. Na Bahia a riqueza cultural é impressionante. Mas, ou remam todos para o mesmo lado ou o barco não sai do lugar. E se as guerras pelo poder saírem da razoabilidade, o barco pode até afundar. Tudo isto atrasa um caminho que já carrega imenso dano na sua história. E tem mais questões que atrapalham o voo da cultura baiana. Num lugar tão diverso e tão imenso, porque são sempre os mesmos – músicos, cantores, atores, etc? É cíclico, em cada época do ano já sabemos quem vem cantar, quem apresenta peças de teatro. O bom senso indica que devemos divulgar os nossos, mas também os melhores do mundo – sejam nossos ou não. São estímulos, são referências para que você possa saber o que existe, perceber-se, acertar agulhas, ganhar a coragem necessária para ir em busca do que ninguém ainda foi capaz. A inovação, a variabilidade, nos estimulam, nos despertam. No Brasil, todos os melhores do mundo vão a São Paulo, ao Rio e pouco mais. A Bahia, Salvador, precisa entrar nesse circuito. Planejar/planear a longo prazo – 10 em 10 anos no mínimo – e diversificar as ofertas. Não é retirar quem tem shows ou atividades, mas sim aumentar com o novo, com o que existe noutros lugares, com o que existe na Bahia mas não tem condições para bancar as pautas. E o jornalismo cultural, em vez de apenas falar de quem conhece – e por vezes até é amigo – falar dos que conhece e dos que é preciso conhecer. Fazer parte do mundo em vez de nos fecharmos apenas com os “nossos eleitos”.

A Organização Mundial de Saúde há muitos anos que fala na prevenção das doenças como forma de os países gastarem menos dinheiro. Como se previne doenças nos países? Barateando a alimentação saudável (faz-se o inverso), estimulando as pessoas a caminharem, a serem ativas na sua vida (descuidando a segurança da população, a população mais adoecida sai menos), estimulando as populações a incluírem no seu dia a dia cultura – livros, cinema, teatro, artes visuais, etc. Uma das formas de manter as populações “mais tempo saudáveis” é o fato de nos tempos livres, se enriquecerem culturalmente. Nos países desenvolvidos, as Prefeituras, Governos, assumem esse gasto, distribuem apoios, estimulam as populações a sair para a rua, com exposições gratuitas nos finais de semana, cinema, teatro, artes visuais, artes cênicas, inovadoras, habituais, o que quiser imaginar. Ocupar as populações, estimular a sair para realizar atividades saudáveis – em vez de ficarem toda a tarde a comer e a beber, sentadas. Não pode ser só o BA-VI a levar as pessoas para a rua, cultura não é ficar sentado o dia inteiro bebendo com os amigos, não podem ser só as pessoas com dinheiro a terem acesso à boa cultura. Domingo pela manhã atividades gratuitas já é habitual em muitos países. Salvador? Bahia? Vamos rever algumas coisas?

Ana Santos, professora, jornalista

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