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“É uma desgraça sem fim...” Bug Sociedade


PRECISAMOS DE NOVOS COMEÇOS

"Unir educação, diálogo, espaços comuns e lugares que reúnam pessoas de diferentes lugares é a esperança da democracia. Ela depende de fomentar arenas para educação, espaço cívico e debate". Michael Sandel.


Foi um choque ter ouvido essa frase ao final da palestra de Michael Sandel e ver explodir na sua cabeça a conclusão: “Mas isso é o Bug Latino do começo ao fim”!


Por causa dessa frase – exatamente dela – o Bug Sociedade ficou mais otimista. Na hora, fiquei passada ao ouvir de um gênio a melhor definição do que estamos fazendo no Bug, como algo que deveria ser feito como política de Estado. E deveria.


A situação do Brasil – e do mundo – mas principalmente do Brasil – está tão desnivelada, desequilibrada, desarmonizada que as crianças estão se construindo verbalmente na escola, quando na casa de cada uma deveria estar vocabulário, paciência, cultura, arte, brincadeira, jogos.


A verdadeira tirania da meritocracia é que por falarem menos e pior, as pessoas não percebem que meritocracia não existe. Sonham, ao invés de perceberem a ilusão, a pegadinha, a mentira estrutural – na verdade, no lugar de terem a herança futura, os ricos pagam as melhores escolas para que seus filhos passem nas Universidades de sonhos, no futuro. Mas é um investimento que não pode ser feito por todos porque pouquíssimos chegam às escolas que levam à Harvard, para saírem de lá empregados – e de preferência nas empresas da família.


Cada trabalho é único e indispensável, seja qual for. Parece que ninguém quer dizer isso alto, mas todos os trabalhos são indispensáveis. Quando o Bug coloca tudo em palavras que tenta serem fáceis de entender, estimula o diálogo, o debate em torno de ideias e sai das ordens simplórias: “Fez isso? Estudou? Cadê a toalha molhada”? – porque somos muito mais do que meros respondedores de sim ou não, obedecedores ou desobedecedores – somos comunicadores e a comunicação modera nossas respostas corporais. Se você fala mal, o mundo é estranho e fala muitas línguas diferentes – a língua dos diferentes, dos gênios, dos trans, das mulheres são estranhas e perigosas – como a das bruxas, antigamente. E tudo precisa ser extinto para que nada fuja do fluxo e as pessoas se sintam seguras.


Mas o Bug percebe que o mundo é inseguro e que ninguém poderá fugir de tudo. A gente percebe claramente que todos temos responsabilidade com todos e que isso é o que atrai – e cada vez mais - olhares de quem tem responsabilidade com a vida porque nem os mais ricos são tão ricos para pagarem por uma vida extraterrestre e se sustentarem em Marte ou Vênus.


E se há alguma coisa em Marte, quem pode afirmar que é tão atrasada quanto essa, nossa? Quem garante que civilizações mais adiantadas baniram essa forma de convivência e trabalham juntas porque percebem o valor de cada trabalho como único? Quem sabe se haverá uma prisão para “terroristas destruidores do meio ambiente”, em Marte? Agentes que ignoram propina? Quem garante que essa angústia existe em todas as galáxias? E quem garante que estará eternamente livre de problemas, mesmo com a evolução do tempo, da justiça?


Nós podemos mudar o giro desse motor e o Bug – eu e Ana – afinamos o Bug Latino todos os dias para isso. Para que as pessoas se expressem, pensem e sejam melhores. Quando você nos segue no Instagram, no YouTube e no Facebook, concorda que o “bichinho da mudança” também mora em você – e isso pode salvar a nossa civilização – tão egoísta, tão terrivelmente individualista que é incapaz de investir em melhoras sociais e usufruir delas também.


Pensem nisso sempre. Existe o Bug Latino que tem uma clara proposta de mudança, cada um de vocês vota ou vai votar – e eleitor não é amigo de ninguém que não seja seu País, há empresas que perceberam que somos melhores em coletivo e se dedicam a apoiar ações com esse objetivo, no mundo. Vamos nos unir, nos seguir, nos logar, nos articular. Porque juntos – juntos – podemos contribuir muito melhor do que separados, onde tudo é mais árido e tão mais cansativo... Ninguém aprende a ler sem falar, ninguém pedala sem se equilibrar. Estamos sobrevivendo, mas podemos conviver.

Ana Ribeiro, diretora de cinema, teatro e TV


“É uma desgraça sem fim...” Bug Sociedade

Eu não sei se temos real noção do estado em que está o planeta Terra. Também não sei se temos noção de que existe cada vez mais espaço para as pessoas que escolhem caminhos ilegais e injustos e nenhum espaço para as pessoas que escolhem caminhos parciais e justos e que estamos a ensinar às crianças isso, a todo o momento e de todas as formas.


Não sei se temos noção que não sabemos aproveitar a internet e as redes sociais para fazer um mundo melhor e melhorar a vida de todos e, que afinal, isso tudo virou apenas um estrondoso negócio. Também não sei se temos noção que o mal que se faz a uma pessoa, e por vezes basta ser durante um segundo, permanece na pessoa e nas suas gerações futuras por décadas e décadas.


Não sei se temos noção que algumas mortes, aparentemente casuais, não são nada casuais e esse fenômeno está aumentando....ou ficando mais visível. Também não sei se percebemos que não é só com os outros que as coisas inusitadas e terríveis acontecem e ninguém está protegido com dinheiro, nem posição econômica ou social.


Não sei se temos noção da importância da cultura na nossa saúde física e mental, enquanto pessoas e enquanto sociedade e, ao mesmo tempo, também não sei se temos noção de que a cultura não pode ser só um negócio. Também não sei se sabemos o estado em que está o Brasil e se as pessoas com poder, estão preocupadas em fazer alguma coisa real, séria, responsável.


Chuvas no sul da Bahia, Minas Gerais, Petrópolis, Recife. Mortes estranhas com quem denuncia, fala, enfrenta. Roubos, agressões, assassinatos, crimes, tortura, corrupção. Fome, desemprego, desigualdade, injustiça, imparcialidade, medo, medo, medo. Uma desgraça sem fim.


Todos sabem que tudo está errado, mas todos se agarram às suas regalias e seguem curtindo sua vida e lamentando a desgraça dos outros. Os que podem, fogem. Portugal em breve terá mais brasileiros que portugueses e Portugal ficará como o Brasil. Estados Unidos e Inglaterra são os lugares mais desejados e se faz de tudo para conseguir viver ali. As pessoas fogem ou fazem de conta que nada está acontecendo e enquanto isso, tudo piora. Para todos. E nem prestam atenção para olhar o mundo porque se prestassem atenção perceberiam que a Europa e os Estados Unidos não são mais lugares tão perfeitos e tão paradisíacos. E ser estrangeiro deixou de ser uma coisa “maneira” para ser algo perigoso.


Nascer e viver num lugar onde se está solto, só, desamparado, perdido, desesperado, desprotegido no seu próprio país, faz com que as pessoas se sujeitem a coisas na sua pátria e nos países para onde fogem que tornam o mundo ainda mais desconfortável – é que os que se dão bem, aproveitam essa subserviência e esses movimentos demográficos de desespero.


É um choque assistir a um país se desmoronar. É um choque ver pessoas que pareciam de bem virarem gentinha que não presta. Na hora do almoço, na hora de jantar e na hora do “Fantástico” as pessoas se ligam ao mundo assistindo sentadinhas, aos canais de TV mostrando seus “melhores” programas: crimes, desgraças, inundações; arrastões, roubos e agressões por todo o lado; corrupção; morte a esmo de mulheres, de negros, de população lgbtqia+; escravas com nome de empregadas domésticas.


E tudo segue igual, nada se previne, nada se resolve, nada se planeja, na real. Nada avança. Projetos bem escritos? Com milhões envolvidos? Com promessas de sonho? Ou com t-shirt, bandeirinhas, garrafinhas, cartazes, promessas? Milhares deles. Mas o mundo fica na mesma. Ou mais sujo. E assim vivemos nossos dias em busca do Brasil dos postais, das férias, do glamour, do charme. Mas esse, esse é só para os turistas...

Ana Santos, professora, jornalista

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