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Mai 20

TCHÉKHOV É UM COGUMELO (FITEI, 2019)

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Muito cuidado para, diante do “nado raso” da vida atual – onde praticamente todos se colocam a boiar porque é mais fácil – não cometer a loucura de pensar: “Tchéchov? Mas essa peça é muito velha! ”

 

Mas:

 

Num mundo onde é muito fácil se preocupar com a foto da comida, ao invés de comer, foto do lugar mais lindo do mundo, com a pessoa de costas, só pra sair na selfie, onde a ação real clicada na foto é a da pessoa se colocando em perigo, apenas pra esquecer de tudo e se colocar do ladinho da boca do tubarão, não tem nada de velho numa peça assim.

Quem sabe qual se a sua realidade é, está compatível com a da vida no tempo presente?

 

Inquietante.

 

Quem pode afirmar que sua posição atual no mundo apenas repete sequências de ações, numa inércia letárgica que mistura os 3 estágios de tempo que supostamente deveríamos dominar conceitualmente – presente, passado e futuro?

 

É natural ter Trump como presidente e se sentir representado? Esquecer que um estadista precisa pensar em representar a todos e “descolocar” o aborto como opção, apontando para a voltas das proibições, cegueiras, fogueiras, balas, tiros, bombas, primitivismos e armadilhas carros para atropelar, machucar, matar – tudo filmado, nas redes sociais, a boca do tubarão ali, na sua cabeça e você sorrindo, se colocando de ladinho, perto da boca do bicho porque no Facebook todos são obrigatoriamente felizes e posicionados ou primitivos em ataque permanente ou filósofos casuais do absurdo?

 

Tchéchov era médico. Como se sentiria ele diante de pessoas que se sentem aviltadas porque “não foram convidadas” para a chacina estudantil da semana? Que não falam mais umas com as outras, enquanto gastam sua filosofia nos cards do Whatsapp?

 

Inquietante.

 

Ver uma peça onde o nosso escuro permanece, a nossa contradição se exprime numa navegação eterna que não chega porque não procura terra, nem nada. Apenas drena sua própria energia reclamando do que queria ter, sonha ter, merece ter. Mas não faz, não fez e não fará nada para ter.

 

O que mais se pode falar de Tchéchov, num elenco BRASILEIRO, que vê aturdido tudo o que temos visto aturdidos, atualmente?

 

INQUIETANTE, MUITO INQUIETANTE.

ANA RIBEIRO

Diretora de teatro, cinema e TV

FITEI é um festival que nos habituou a teatro de grande qualidade. Ao longo dos anos, as pessoas que aproveitam o festival, assistem a teatro de todo o mundo e muito bom teatro. Muito bom. Diferentes culturas, diferentes formas de fazer teatro, diferentes olhares, mas qualidade sempre está presente. E é um festival que consegue sempre melhorar, sempre avançar, sempre te dá a oportunidade de aprender com novos olhares e experiências. É um orgulho ter o FITEI no Porto.

 

O teatro brasileiro é quase um continente, de tão diverso. Ele existe num país que é como um continente, com suas diferenças enormes de Estado para Estado. Mas se vê a mesma entrega e envolvimento de um povo, no que faz, quando acredita verdadeiramente nisso. Se vê e ouve a linguagem musical de um português do Brasil que é muito atraente, sedutor e inteiro. Os pontos de vista, a criatividade, a originalidade e a forma de dar as mensagens, ninguém faz como os brasileiros no teatro. Para os europeus é uma benção de cada vez que é possível assistir a peças de teatro do bom teatro brasileiro. E a obra de TchéKhov é muito amada pelo teatro brasileiro.

 

“Tchékov é um cogumelo”, indicado ao Prêmio APCA de MELHOR ESPETÁCULO DO ANO – 2017, indicado ao Prêmio SHELL 2017 de Melhor Música, considerado um dos três Melhores Espetáculos do Ano pelo júri do Guia Folha de São Paulo, Espetáculo que celebra 10 anos da Cia. Estúdio Lusco-fusco. Em estreia nacional no FITEI. Teatro, dança, neurociência, audiovisual, música, mergulhados em “As três irmãs” de Tchékov e em vários tempos. Num mundo de angústia, de esperança.

 

A neurociência, a meditação, as zonas de estímulo cerebral semelhantes ou iguais em alucinógenos ou na meditação (por isso se remete a “TchéKhov é um cogumelo”, segundo o diretor).

 

O tempo, o que fazemos com ele, o que ele faz conosco, o que é importante. O que foi, o agora e o que será... A falta de comunicação, a apatia, a inércia. O mundo assusta ou estimula. Como referem no link sobre a peça (abaixo), o tempo é a matéria-prima do espetáculo. Tempo-memória, o tempo das três irmãs - espaço mental e o tempo da mente.

Tenho apenas uma enorme pena que esta peça e outras de enorme qualidade não possam ir/vir ao Estado da Bahia e outros Estados.

 

Direção, concepção e adaptação, de André Guerreiro Lopes.

Produção, Estúdio Lusco-Fusco Produções, Lda. (Brasil)

 

O Bug Latino agradece a cortesia dos bilhetes ao FITEI. Muito gratas.

Ana Santos, professora, jornalista

 

Link da Produtora Lusco-Fusco sobre a peça

http://www.luscofusco.art.br/tchekhov-eacute-um-cogumelo.html

 

Site do Teatro Nacional São João (TNSJ) - FITEI

http://www.tnsj.pt/home/espetaculo.php?intShowID=6974

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  • portalbuglatino
    Out 5

    Imaginava que veria um show, mas uma coisa tão arrebatadora, dramática e comovente não é show – é espetáculo, é teatro, é drama – já que drama é ação e o tempo inteiro ela nos mergulhou em ação dramática. Como vocês sabem, minha especialidade é voz profissional. O que mais faço na vida é ouvir vozes, é uma rotina e pouca coisa me impressiona. Fiquei aturdida com a capacidade vocal, com a qualidade, com o domínio do som, do ritmo, da intensidade. Ela cantou com microfone, sem microfone, dobrada, em cima de escada, encostando a barriga nos joelhos – vocês sabem onde fica o diafragma? Sabem o nível de interferência que se dobrar sobre o diafragma causa à voz? Nem queria aplaudir. Queria muito mais ouvir. Absorver. Um repertório forte, intenso, incrível e novo – o que diante da mesmice atual da MPB é como respirar ar fresco. Em alguns momentos, aquele jeito tão Caymmi, tão Nana de entrar na frase musical – uma assinatura única, genética. Em outros momentos, cultura musical, o nível de exigência na escolha de repertório que nasce de ouvir pessoas exigentes ouvindo e comentando música. Que espécie de menina é essa? No meio de pessoas iguais, com botox, dentes branqueados, “preenchidas” nas bochechas, nas faces, nas rugas, aparece uma pessoa de cabeça raspada na máquina 2, deliciosamente acima do peso, gritando emocionalmente “sou como vocês, faço parte da vida normal” – só que não – mas quando abre a boca pra cantar, deixa todos com a boca aberta de espanto. Saiu do palco cantando Marilia Medalha e de um jeito tão único que a plateia não teve tempo pra aplaudir, pra pedir bis. Apenas ficamos ali sentados, sem saber muito bem o que dizer uns aos outros. “E aí véi, cadê ela”? – era o que se ouvia em toda parte. Ali ficamos eu e Ana sentadas, cobertas com a nossa “manta Bug”. Quando levantamos, encontramos Moacyr Motta que estava tão surpreso quanto a gente. Nós três ouvintes ávidos de voz. Os três aturdidos com o que ela mostrou. Foi tanto, tanto que é melhor encerrar do mesmo jeito que ela – de repente. Um pouquinho sem fôlego, mas se eu estivesse no palcão do TCA, fazendo o que ela estava fazendo, cantando dois fados à capela, dançando pra Iansã, performando e transformando cada música numa cena na terra do avô, com a mística que ele deixou e cantou aqui, com a força, a tradição, a lembrança que todos temos... bem... quem não perderia levemente o fôlego? ARREBATADORA. Basta isso. Ana Ribeiro, diretora de teatro, cinema e TV Apenas um pianista num piano de cauda. A partir de meio do show, mais um músico que toca timbau e depois toca pandeiro. Ambos extraordinários. Um cenário minimalista mas de extremo bom gosto que virou um espetáculo, uma performance, um momento de pura viagem ao interior de cada um que estava na plateia. E o final do show, inusitado, original e inovador. Alice Caymmi é uma artista arrebatadora. Estava no show pensando que, se seu avô, Dorival Caymmi tivesse nascido e vivido nesta época e vivido o que ela viveu, seria igual. Estava pensando que ela é tão surpreendente e fabulosa agora, como seu avô foi na sua época. Bonita, com um sorriso encantador e uma voz....uma voz... Percebem-se as mágoas, as dores, a travessia difícil que fez. Que faz e que fará. E ficamos impressionadas pela sua capacidade: de enfrentar tudo isso, de romper com o instalado, de querer ser quem quer ser, independentemente das vontades alheias ou mais próximas. Como comentou Mariela Brito, a maravilhosa atriz cubana numa entrevista que brevemente sairá no Bug, cada um nasceu para ser o que tem de ser, não o que os outros acham ou dizem para ser. E nos “outros”...coloque quem você quiser...por que tudo que não é você, são os outros. “As palavras são instrumentos de cura” (Alice Caymmi). Como se pode agradecer a uma artista ao, no palco, “exorcizar” as suas dores e as nossas? Não somos Caymmi’s, mas às vezes tudo é tão igual. Principalmente a dor, a incompreensão e a travessia. Principalmente quando se institui que você será, ou não será “alguém” de acordo com os desejos de terceiros. Os que tiveram a vida tranquila, serena e “embalada”, normalmente são muito tranquilos. Por que seriam de outra forma? Mas, e se tivessem tido obstáculos, vários, imensos, dolorosos? E olhares duvidosos sobre o seu caminho? Talvez tivessem sido agressivos, antissociais, etc... até ridículos. Ai, vida, vida... É tão fácil falar e tão fácil apontar quando tudo nos é fácil e tudo nos é oferecido. Em cada palavra, cada som, cada performance, Alice é diferença, é impacto, é terapia. Ainda bem que não foi para o caminho fácil do “negócio” musical. Teve uma educação musical e vocal de excelência, conhecimento cênico fora da “caixa” e amadureceu com o sofrimento e, graças a Deus optou por fazer algo que construa, que faça a diferença. Eu, vou lhe agradecer para sempre pela coragem de abrir um caminho, onde outros podemos passar, e que ninguém nunca teve coragem de fazer. O caminho do que as famílias podem destruir em você, se você não estiver atenta. Tem de existir espaço e respeito para todos. Só por que uns têm tudo, têm a aceitação social e familiar e todo o poder, não é justo que os outros, na marra, não possam ter direito a fazer o seu caminho, por estranho que vos possa parecer. Portugal, França, Holanda, Mundo, se esta maravilha da natureza passar por aí e sempre que passar, tentem não perder. Tem tudo para ser cada vez mais surpreendente, cada vez mais impactante. Alice Caymmi, o Bug Latino se encantou com você e com o mundo que você abriu. Vá, por favor vá em frente. Sempre. O Bug e nós aqui estamos também fazendo a nossa parte desse caminho. Um dia, o caminho virará uma estrada e quem sabe menos pessoas ou nenhumas passarão o que você passou e passa, e que nós Bug e nós Ana Santos e Ana Ribeiro precisamos enfrentar. Que a vida de todos possa ser mais verdadeira e feliz. No final, encontrar na plateia uma pessoa tão querida nossa e do Bug Latino como Moacyr Motta, locutor da Rádio Educadora e um excelente fotógrafo, ainda tornou tudo mais mágico e maravilhoso. Ana Santos, professora, jornalista Informações sobre a artista Instagram https://twitter.com/alicecaymmi?ref_src=twsrc%5Egoogle%7Ctwcamp%5Eserp%7Ctwgr%5Eauthor Facebook https://www.facebook.com/AliceCaymmi/ Vagalume https://www.vagalume.com.br/alice-caymmi/ Letras.mus.br https://www.letras.mus.br/alice-caymmi/ Canal Youtube https://www.youtube.com/channel/UC1nVmno6DrahlYB8abBnjXA Allcance Produções http://www.allcancecomunicacao.com.br/
  • portalbuglatino
    Set 30

    A peça é dividida em três segmentos distintos. Totalmente distintos. Até em ambientes diferentes. Isso mesmo: você inicia a assistência da peça em um lugar, depois vai para outro e em terceiro lugar, ainda outro. A parte um, adorei – com tantos problemas na Amazônia atualmente, achei o paralelo genial. Destaque para Caio Rodrigo e Daniel Farias. Não entendi a participação daquele instrumento australiano numa cena com nativos da América Latina, mas a sonoridade valeu à pena. Na parte dois, embora o conteúdo dramático tenha me agradado demais, perdi muitas falas. Não por falta de dedicação dos atores que estavam em seu máximo de esforço vocal - até acima – mas porque havia muitos ruídos dos instrumentos em cena, competindo com a voz dos atores. Porém, apesar desses problemas, a dor e o sofrimento, a narrativa de execuções foi incrível, assim como a falta de piedade e uma espécie de procedimento de justificativa para a barbárie – outra relação de pensamento super atual com o que estamos vivendo no momento e que parece não afetar a maior parte das pessoas que ligam a TV e consomem crimes, falcatruas, ódio, enquanto manipulam o celular em busca de outras doses de mesmas coisas. A parte três foi onde achei que a voz de todos “estourou”. E por ser parte da minha vida profissional gerir e controlar a emissão vocal das pessoas fiquei mesmo desconcentrada com o tamanho do esforço. Num momento onde há tanto em jogo no Brasil e onde se acumulam conceitos totalmente equivocados sobre heróis e ideologias, Teatro la Independencia aponta um continente muitas vezes desencontrado e que procura definir-se por conceitos e não conviver com harmonia – uma aula diante de interesses políticos, econômicos e individuais a qual estamos submetidos sob as mais diferentes utopias, descritas em verso e prosa – uma aula de que o real desgoverno pode ser nosso, que continuamos seguindo nossas próprias ilusões travestidas de pessoas, personalidades – grande erro. Acima de tudo Teatro la Independencia fala do papel do teatro no mundo, independentemente de quem estiver no poder – o teatro é um espelho humano poderoso, que lá estava neste espetáculo, voltado para as nossas idiossincrasias todas – vamos nos vender totalmente? Há preocupação social real num investidor que pretende apenas retorno financeiro? O teatro pode ser vender a qualquer interesse para sobreviver? Quem responde? Quem ousa responder? ANA RIBEIRO Diretora de teatro, cinema e TV A peça provoca algum desconforto físico ao espectador de forma intencional se movendo constantemente. Procura provocar outros desconfortos ao trazer inquietações e mesmo discussões. Os espaços e imóveis que se alteram de acordo com os donos, a função e o poder do mundo económico. As discussões que tudo isso provoca, as opiniões de cada pessoa, diferentes, parecidas, conciliadoras, conflituosas. Os que discutem, os que observam, os que organizam enquanto uns discutem e outros observam. Os que organizam não perdem tempo, os que observam têm particular motivação para nada fazer e criticar quem faz e os que discutem têm muita dificuldade em terminar as discussões e passar a ação. Achei esta parte da peça particularmente interessante. Também bastante exigente por que para um ator é difícil estar em palco “parecendo que não está”. Muitos atores não conseguem manter o foco sempre. Muitos atores perdem o olhar, o corpo e o envolvimento por não conseguirem se manter nesse espécie de limbo. E é aí que o ator precisa de manter o seu foco mais forte, para que a plateia não perceba momentos em que ele “sai de cena”. Basta um segundo. Talvez todo o corpo possa se manter em cena mas se o olhar muda, ele desmorona toda a construção e esforço. Numa peça que dura 2 horas, isso é muito difícil para um ator. A peça circula constantemente entre essa zona “real” e outros mundos como as discussões sobre os indígenas, sobre o sofrimento histórico dos povos, sobre D. Quixote. Complexa e muito variada. Senti a peça um pouco longa, com muitos assuntos, abordagens ou pontos de vista. Às vezes querer dizer muito pode provocar no espectador alguma confusão no que a peça quer. Tive momentos de dificuldade em entender a dicção de alguns atores, talvez pela rapidez com que falavam. E me pareceu que a emoção da peça se perdeu um pouco por causa disso. Uma peça tipicamente baiana, onde os corpos e as vozes cantam e dançam e se misturam. Movimento, desconstrução, ousadia...isso será sempre Bahia. Ana Santos, professora, jornalista Informações sobre a peça https://www.filte.com.br/copia-nuremberg Filte – Festival Latino Americano de Teatro da Bahia https://www.filte.com.br/
  • portalbuglatino
    Set 30

    Os estudos acadêmicos, o comportamento neutro, absolutamente neutro, afavelmente neutro, dolorosamente neutro dos ingleses consegue apagar o furor, o fogo, a energia de se ver e de ver o mundo através de uma ótica atravessada por uma história africana? Neutraliza-se preconceitos? Como afinal cada um de nós passa por eles para apenas sermos quem somos, sem comparações? Fulana, negra do cabelo bom, Sicrano, branco do cabelo ruim – o que é a qualidade ruim ou bom para cabelo? Exatamente. O que somos, exatamente? Porque, sem este saber exato, qual o fundamento do preconceito? Ah, ok, somos diferentes e a diferença é a marca do preconceito. Mas - quem é igual? Black River mergulha num universo indistinto que tentamos ingenuamente distinguir – a diferença. Num mundo que distingue cada vez mais diferenças, mas não assume uma lógica de igualdades, a peça vem mesmo a calhar. E ver Patrick Campbell para além do ponto de vista de meu colega de classe, no mestrado, foi um presente, uma honra. Uma voz pura, dona de muitos sotaques, acentos melódicos e prosódias, Patrick conta histórias que detém a estranheza de quem somos e nossos pequenos e não percebidos preconceitos cotidianos, colocando-se no lugar de quem viu de onde veio e aponta com clareza – somos quem somos e somos misturados. No Brasil então, é um debate cansado, à medida em que ninguém pode se sentir fundamentado em uma única raça para falar e, assumindo nossa mestiçagem, para quê falar? Com que moral, que raciocínio? Um debate que esgota as nossas reservas de lucidez, sendo estúpido – e por isso mesmo cada vez mais necessário. Há um ponto de partida para a humanidade e ele é miscigenado, caro leitor. Em sua performance, Patrick, branco, olhos azuis, inglês de sentimentos neutros e cabelos encaracolados, aponta seu avô negro, seus tios mestiços e ele – branco, do cabelo “nem tão bom assim”. E ao fazer isso a si mesmo, ao designar-se mestiço, levanta a questão do racismo com determinação e excelente interpretação, com domínio da voz e todos os seus meneios. Uma pena tê-lo visto tão pouco tempo e usufruído de seu trabalho apenas nesta apresentação. Espetáculo imperdível. Ana Ribeiro, diretora de teatro, cinema e TV Peça falada em inglês e português do Brasil. Vários sotaques, cantos, cânticos e danças africanas, caribenhas. Uma “mescla” de culturas, de línguas, de personagens. Apenas um ator. Patrick Campbell criou uma peça totalmente sua, que inclusive, inclui a sua história. Muito interessante e culturalmente rica. Pouco cenário, pouco figurino, pouca iluminação. Uma peça de produção simples. Eu gosto e admiro atores que fazem peças assim. Julgo que esta forma de teatro, de contador de histórias, de contador da sua própria história é muito importante no momento em que vivemos. Partilhar experiências, partilhar sofrimentos, partilhar a forma de lidar com tudo o que dói ou nos faz feliz pode nos salvar. Nunca nos salvará atacar ou impedir o sucesso do outro, diminuir o que os outros fazem de bem. O Brasil está em ebulição e prestes a explodir por que quase todas as pessoas estão a preferir aumentar os problemas e a preferir destruir para apenas vencer? Vencer o quê? As pessoas têm de se entender. Ou no final de todas as tentativas falhadas, se respeitar e viver cada um a sua vida sem atrapalhar a vida dos outros. O ator conta a sua história, sob o ponto de vista da diversidade de cores de pele, cultura e vida das pessoas da sua família. Uma mistura de escravos, donos de fazendas, etc, etc. Pontos de vista opostos, vidas abonadas e vidas de sofrimento numa mesma família. Injustiças, tragédias, marcas que ficam para sempre nos que vêm depois. O ator de alguma forma tenta mostrar seu sofrimento, sua angústia e parece querer mostrar a todos nós que não adianta ficar preso a mágoas, por maior sofrimento que se tenha passado. Gostei da forma original como confronta a ciência, a investigação, a pesquisa, a cultura, as raízes, a terra. Uma peça que seria bem recebida em Portugal. Ana Santos, professora, jornalista Informações sobre a peça https://www.filte.com.br/copia-o-outro-lado-de-todas-as-cois Filte – Festival Latino Americano de Teatro da Bahia https://www.filte.com.br/

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